
Em 30 segundos
- A explosão do Hunga Tonga–Hunga Haʻapai, em 15 de janeiro de 2022, levou a pluma vulcânica a aproximadamente 58 km de altitude, na mesosfera.
- Sensores registraram um pico superior a 2.600 relâmpagos por minuto. Ondas de pressão atravessaram o planeta, enquanto um tsunami se espalhava pelo Pacífico.
- A água extra na estratosfera não determina sozinha o efeito climático. Um estudo de 2024 calculou um pequeno forçamento líquido de resfriamento nos dois anos seguintes.
Debaixo do Pacífico
Uma explosão que ultrapassou a paisagem
O nome comprido pertence a um vulcão submarino de Tonga. A maior parte de sua estrutura fica debaixo da água; as pequenas ilhas visíveis não mostram a dimensão completa do sistema. No dia 15 de janeiro de 2022, a interação da erupção com o oceano produziu um evento que instrumentos acompanharam muito além do arquipélago.
O Reel do Pisca reúne três escalas dessa história: a explosão local, os sinais que viajaram pelo planeta e a mudança temporária na composição da atmosfera. Cada uma precisa de uma medida diferente. A altura da nuvem, por exemplo, não é a altura de uma onda do mar nem uma medida direta da energia liberada.
Acima das nuvens
Como medir uma pluma de 58 quilômetros
A análise divulgada pela NASA usou observações de dois satélites meteorológicos, GOES-17 e Himawari-8. A posição diferente dos observadores permitiu estimar a altitude pela paralaxe, princípio semelhante ao que nos ajuda a perceber profundidade com dois olhos.
O topo chegou à mesosfera, acima da estratosfera. Não era uma coluna de lava intacta subindo até ali: tratava-se de uma pluma de gases, vapor e partículas. As imagens também mostram a evolução da nuvem, que muda de forma rapidamente. Um único quadro não resume a explosão inteira nem suas consequências.

Uma tempestade vulcânica
Por que houve tantos relâmpagos?
A investigação apresentada pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos encontrou cerca de 192 mil relâmpagos na erupção e um pico de mais de 2.600 por minuto. Esse máximo foi o mais intenso registrado pelos pesquisadores naquele tipo de observação; não representa uma taxa constante durante todo o evento.
Água do mar transformada em vapor alimentou a pluma. Partículas de cinza, água super-resfriada e gelo colidiram e favoreceram a separação de cargas elétricas. O resultado se parece com uma tempestade, mas com uma fonte de calor e material muito diferente. Contar descargas ajuda a estudar uma nuvem perigosa que ninguém poderia atravessar para medir diretamente.
O planeta como instrumento
A onda no ar e a onda no mar
A NOAA documenta uma onda de pressão que cruzou a atmosfera e deu múltiplas voltas na Terra durante vários dias. Satélites perceberam sinais em imagens de vapor de água; estações na superfície registraram mudanças na pressão. O estrondo também foi ouvido no Alasca.
Esse sinal atmosférico não deve ser confundido com o tsunami. O primeiro viaja pelo ar; o segundo envolve o oceano e atingiu costas distantes. Os fenômenos interagiram, mas imagens de anéis na atmosfera não são uma filmagem de ondas oceânicas. O evento mostra como observações diferentes podem reconstruir partes complementares da mesma erupção.
A conta do clima
Mais vapor não significa automaticamente mais calor
Em 2022, a NASA estimou que aproximadamente 146 milhões de toneladas de água chegaram à estratosfera, o equivalente a cerca de 10% da água que já existia nessa camada. Não é 10% de toda a água atmosférica. A avaliação inicial considerava possível um aquecimento temporário: vapor de água é um gás de efeito estufa.
O estudo de Schoeberl e colegas, publicado em julho de 2024, incluiu também aerossóis, ozônio e mudanças de temperatura. No balanço dos dois anos posteriores, a redução de energia solar causada pelos aerossóis predominou sobre a contribuição aquecedora da água. Os autores calcularam um efeito líquido muito pequeno de resfriamento, sobretudo no hemisfério sul.
Isso descreve a contribuição da erupção ao balanço de energia, não uma queda observada de todas as temperaturas do planeta. A Texas A&M esclareceu que o resultado não sustenta atribuir ao Hunga o aquecimento global excepcional de 2023 e 2024. Uma perturbação vulcânica temporária não elimina outras causas que atuam ao mesmo tempo.
A história em números
| Número | O que significa |
|---|---|
| 15/01/2022 | Data da grande explosão em Tonga |
| 58 km | Altitude máxima estimada da pluma |
| Mais de 2.600/min | Pico de relâmpagos detectado, não média da erupção inteira |
| Cerca de 10% | Água injetada em comparação com a quantidade que já havia na estratosfera |
Antes de piscar
O que a história permite concluir
A fotografia mostra o instante da explosão?
Não. A abertura é uma foto feita da Estação Espacial em 16 de janeiro, no dia seguinte. A segunda imagem é uma observação de 24 de dezembro de 2021, antes da grande explosão. As duas datas estão nas legendas.
Qual número mais impressiona?
Pode ser a altura, a eletricidade ou a quantidade de água. Compará-los exige preservar suas unidades e o intervalo medido: um pico por minuto e um total de meses não dizem a mesma coisa.
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Fontes desta história
- NASA Earth Observatory — Pluma na mesosfera. 17/02/2022; altitude e medição por satélite.
- USGS — Relâmpagos da erupção. 20/06/2023; pico, total e eletrificação da pluma.
- NOAA — Hunga Tonga 2022. Ondas atmosféricas, observação global e tsunami.
- NASA — Água na estratosfera. Avaliação inicial de 2022; efeito aquecedor apresentado como hipótese.
- Schoeberl et al., JGR: Atmospheres. 24/07/2024; DOI 10.1029/2024JD041296; balanço radiativo dos dois anos seguintes.
- Texas A&M — Interpretação do estudo climático. 26/07/2024; comunicado da equipe participante.
Fontes consultadas em 12 de outubro de 2026.
Créditos das imagens
1 NASA / Kayla Barron. Domínio público — NASA. 2 NASA / USGS. Domínio público — NASA.
Foto orbital e observação de satélite reais, com datas distintas da explosão principal. O processamento científico da imagem Landsat está identificado; nenhuma imagem é gerada por IA.




