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Erupção de 15/01/2022; análise dos relâmpagos de 2023; estudo de forçamento climático de 24/07/2024

Hunga Tonga: o vulcão submarino que fez a atmosfera inteira reagir

Em 15 de janeiro de 2022, uma erupção em Tonga lançou uma pluma a 58 km, produziu milhares de relâmpagos por minuto e levou água à estratosfera. O efeito no clima exige uma conta completa.

Pisca News

Leitura de 5 minutos

Fontes no fim

Nuvem clara de cinzas e vapor se estende sobre o oceano azul sob a curvatura da Terra.
Figura 1. Pluma da erupção fotografada da Estação Espacial em 16 de janeiro de 2022, no dia seguinte à explosão principal. Foto real, não o instante inicial. NASA / Kayla Barron

Em 30 segundos

  1. A explosão do Hunga Tonga–Hunga Haʻapai, em 15 de janeiro de 2022, levou a pluma vulcânica a aproximadamente 58 km de altitude, na mesosfera.
  2. Sensores registraram um pico superior a 2.600 relâmpagos por minuto. Ondas de pressão atravessaram o planeta, enquanto um tsunami se espalhava pelo Pacífico.
  3. A água extra na estratosfera não determina sozinha o efeito climático. Um estudo de 2024 calculou um pequeno forçamento líquido de resfriamento nos dois anos seguintes.

Debaixo do Pacífico

Uma explosão que ultrapassou a paisagem

O nome comprido pertence a um vulcão submarino de Tonga. A maior parte de sua estrutura fica debaixo da água; as pequenas ilhas visíveis não mostram a dimensão completa do sistema. No dia 15 de janeiro de 2022, a interação da erupção com o oceano produziu um evento que instrumentos acompanharam muito além do arquipélago.

O Reel do Pisca reúne três escalas dessa história: a explosão local, os sinais que viajaram pelo planeta e a mudança temporária na composição da atmosfera. Cada uma precisa de uma medida diferente. A altura da nuvem, por exemplo, não é a altura de uma onda do mar nem uma medida direta da energia liberada.

Acima das nuvens

Como medir uma pluma de 58 quilômetros

A análise divulgada pela NASA usou observações de dois satélites meteorológicos, GOES-17 e Himawari-8. A posição diferente dos observadores permitiu estimar a altitude pela paralaxe, princípio semelhante ao que nos ajuda a perceber profundidade com dois olhos.

O topo chegou à mesosfera, acima da estratosfera. Não era uma coluna de lava intacta subindo até ali: tratava-se de uma pluma de gases, vapor e partículas. As imagens também mostram a evolução da nuvem, que muda de forma rapidamente. Um único quadro não resume a explosão inteira nem suas consequências.

Uma pluma branca sobe de pequenas ilhas vulcânicas cercadas por água turquesa, com nuvens espalhadas sobre o oceano escuro.
Figura 2. Hunga visto pelo Landsat 8 em 24 de dezembro de 2021, antes da explosão de janeiro. Observação em cor natural, com processamento de refletância do projeto HLS. NASA / USGS

Uma tempestade vulcânica

Por que houve tantos relâmpagos?

A investigação apresentada pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos encontrou cerca de 192 mil relâmpagos na erupção e um pico de mais de 2.600 por minuto. Esse máximo foi o mais intenso registrado pelos pesquisadores naquele tipo de observação; não representa uma taxa constante durante todo o evento.

Água do mar transformada em vapor alimentou a pluma. Partículas de cinza, água super-resfriada e gelo colidiram e favoreceram a separação de cargas elétricas. O resultado se parece com uma tempestade, mas com uma fonte de calor e material muito diferente. Contar descargas ajuda a estudar uma nuvem perigosa que ninguém poderia atravessar para medir diretamente.

O planeta como instrumento

A onda no ar e a onda no mar

A NOAA documenta uma onda de pressão que cruzou a atmosfera e deu múltiplas voltas na Terra durante vários dias. Satélites perceberam sinais em imagens de vapor de água; estações na superfície registraram mudanças na pressão. O estrondo também foi ouvido no Alasca.

Esse sinal atmosférico não deve ser confundido com o tsunami. O primeiro viaja pelo ar; o segundo envolve o oceano e atingiu costas distantes. Os fenômenos interagiram, mas imagens de anéis na atmosfera não são uma filmagem de ondas oceânicas. O evento mostra como observações diferentes podem reconstruir partes complementares da mesma erupção.

A conta do clima

Mais vapor não significa automaticamente mais calor

Em 2022, a NASA estimou que aproximadamente 146 milhões de toneladas de água chegaram à estratosfera, o equivalente a cerca de 10% da água que já existia nessa camada. Não é 10% de toda a água atmosférica. A avaliação inicial considerava possível um aquecimento temporário: vapor de água é um gás de efeito estufa.

O estudo de Schoeberl e colegas, publicado em julho de 2024, incluiu também aerossóis, ozônio e mudanças de temperatura. No balanço dos dois anos posteriores, a redução de energia solar causada pelos aerossóis predominou sobre a contribuição aquecedora da água. Os autores calcularam um efeito líquido muito pequeno de resfriamento, sobretudo no hemisfério sul.

Isso descreve a contribuição da erupção ao balanço de energia, não uma queda observada de todas as temperaturas do planeta. A Texas A&M esclareceu que o resultado não sustenta atribuir ao Hunga o aquecimento global excepcional de 2023 e 2024. Uma perturbação vulcânica temporária não elimina outras causas que atuam ao mesmo tempo.

A história em números

NúmeroO que significa
15/01/2022Data da grande explosão em Tonga
58 kmAltitude máxima estimada da pluma
Mais de 2.600/minPico de relâmpagos detectado, não média da erupção inteira
Cerca de 10%Água injetada em comparação com a quantidade que já havia na estratosfera

Antes de piscar

O que a história permite concluir

A fotografia mostra o instante da explosão?

Não. A abertura é uma foto feita da Estação Espacial em 16 de janeiro, no dia seguinte. A segunda imagem é uma observação de 24 de dezembro de 2021, antes da grande explosão. As duas datas estão nas legendas.

Qual número mais impressiona?

Pode ser a altura, a eletricidade ou a quantidade de água. Compará-los exige preservar suas unidades e o intervalo medido: um pico por minuto e um total de meses não dizem a mesma coisa.

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Fontes desta história

  1. NASA Earth Observatory — Pluma na mesosfera. 17/02/2022; altitude e medição por satélite.
  2. USGS — Relâmpagos da erupção. 20/06/2023; pico, total e eletrificação da pluma.
  3. NOAA — Hunga Tonga 2022. Ondas atmosféricas, observação global e tsunami.
  4. NASA — Água na estratosfera. Avaliação inicial de 2022; efeito aquecedor apresentado como hipótese.
  5. Schoeberl et al., JGR: Atmospheres. 24/07/2024; DOI 10.1029/2024JD041296; balanço radiativo dos dois anos seguintes.
  6. Texas A&M — Interpretação do estudo climático. 26/07/2024; comunicado da equipe participante.

Fontes consultadas em 12 de outubro de 2026.

Créditos das imagens

1 NASA / Kayla Barron. Domínio público — NASA. 2 NASA / USGS. Domínio público — NASA.

Foto orbital e observação de satélite reais, com datas distintas da explosão principal. O processamento científico da imagem Landsat está identificado; nenhuma imagem é gerada por IA.

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