
Em 30 segundos
- O Erta Ale, na Etiópia, ficou famoso por lagos de lava que persistem por longos períodos e mudam de nível e aparência.
- As fontes registram observações desde pelo menos 1967 e indicam que a atividade pode remontar a 1906. Isso não comprova uma superfície aberta e inalterada durante 120 anos.
- Em julho de 2025, uma erupção e colapsos mostraram que esse sistema continua se transformando. Fotografias antigas precisam de data.
Antes de piscar
Um lago cuja superfície é rocha
As linhas luminosas da figura 1 parecem desenhar um mapa no chão. Entre elas, grandes placas escuras cobrem parte da lava. A fotografia foi feita em dezembro de 2011 no Erta Ale, um vulcão da região de Afar, no nordeste da Etiópia. É uma paisagem real, mas não uma janela ao vivo para o que existe hoje.
A região pertence ao sistema de riftes do leste africano: as placas tectônicas se afastam e o magma pode alcançar a superfície. O Erta Ale é um vulcão em escudo, com encostas relativamente suaves e uma grande base. No topo, depressões menores abrigaram os lagos que o tornaram conhecido.
O nome é traduzido pelo USGS como “montanha que fuma”. A Depressão de Danakil tem áreas abaixo do nível do mar, mas isso não coloca o topo do vulcão abaixo do oceano. O perfil atual do Smithsonian informa uma elevação de 585 metros para o Erta Ale.
O instante
Como a lava consegue permanecer quente por tanto tempo
Um lago persistente não é uma porção de lava que fica parada e resiste ao resfriamento. Ele depende de circulação. A explicação do USGS começa com magma rico em gases que sobe por um conduto. Perto da superfície, os gases escapam; o material perde parte do calor e se torna um pouco mais denso.
Esse material pode descer enquanto mais magma quente sobe. A circulação transporta massa e calor, ajudando a manter o sistema aberto. Na superfície, placas de crosta se deslocam; lava aparece nas zonas de abertura, e partes da crosta podem afundar. A cena luminosa é apenas o trecho visível desse movimento.
Para os cientistas, esses lagos são laboratórios naturais: permitem acompanhar a saída de gases, a formação de crosta e as mudanças na circulação. A observação repetida é especialmente importante. Uma única fotografia mostra um estado; uma sequência ajuda a identificar o processo.
Num piscar de olhos
Persistente não significa sempre igual

O Erta Ale tem uma história muito longa de atividade. A NASA descreve um lago observado desde pelo menos 1967 e possivelmente desde 1906. O “possivelmente” faz parte da informação: a data mais antiga não tem o mesmo grau de documentação que as observações sistemáticas posteriores.
Também houve alterações importantes dentro dessa história. O arquivo do Smithsonian relata uma superfície solidificada no poço sul em dezembro de 2004, enquanto pequenos condutos e aberturas incandescentes continuavam ativos. Um vulcão pode manter calor e liberar gases sem exibir, em todo momento, o mesmo lago descoberto.
A longa duração pertence ao sistema vulcânico; a aparência da superfície pode mudar. As fontes falam em enchimento, drenagem, crosta, transbordamentos e fissuras. Em janeiro de 2017, por exemplo, novas fissuras abriram caminhos para a lava fora da área habitual dos poços do topo.
Depois
As mudanças de 2025 foram além da superfície do lago
Em 15 de julho de 2025, o Erta Ale teve uma erupção explosiva, com cinzas e gases. O relatório de resposta rápida do COMET, emitido em 24 de julho, identificou colapsos nos poços por imagens ópticas e de radar. A análise era preliminar e limitada àqueles dias, não um boletim sobre a situação de outubro de 2026.
Um estudo publicado em novembro de 2025 na Frontiers in Earth Science examinou a evolução daquele episódio usando vários tipos de dados de satélite e registros sísmicos. A equipe reconstruiu a propagação de uma intrusão de magma por 36 quilômetros ao longo de 25 dias. É material que avançou sob o terreno, não um rio de lava correndo por toda essa distância na superfície.
O relato mais recente exibido no perfil do Smithsonian consultado para este texto cobre o fim de novembro de 2025. Ele descreve cinzas sobre a região, plumas nos dois poços e outra área colapsada em imagens obtidas após a erupção do vizinho Hayli Gubbi. Não autoriza concluir que as duas fotografias deste artigo ainda representam a cena atual.
De olhos abertos
O que permanece em aberto
O lago começou exatamente em 1906?
As fontes usam essa data como possibilidade histórica. Ela não deve ser transformada em uma contagem exata de anos com observação contínua de uma mesma superfície líquida.
A atividade recente permite prever quando o vulcão vai parar?
Não com os dados apresentados aqui. A pesquisa investiga como o magma se move e quais estruturas o armazenam. Esses resultados ajudam a entender o sistema; não fornecem uma data de encerramento da atividade.
Mande para quem se impressiona com vulcões. O que chama mais sua atenção: o brilho da lava ou a crosta que se forma e se move sobre ela?
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Fontes desta história
- Smithsonian Global Volcanism Program — Erta Ale. Localização, histórico desde 1906/1967, relatos de superfície solidificada em 2004 e atividade observada em anos recentes.
- NASA Earth Observatory, 04/12/2023 — The Smoking Mountain. Contexto tectônico de Afar, observações desde 1967 e possibilidade de atividade desde 1906.
- USGS/HVO, 25/03/2010 — Long-lived lava lakes. Explicação da convecção, circulação de magma e crosta móvel no lago.
- USGS, 16/03/2017 — Landsat Detects Eruptions at Ethiopian Volcano. Nome do vulcão, enchimento e drenagem dos lagos, fissuras de janeiro de 2017 e leitura de sinais infravermelhos.
- COMET, 24/07/2025 — Erta Ale Event Response 2.1. Relatório preliminar de observações ópticas/radar, colapso dos poços e erupção de 15/07/2025; não é previsão atual.
- La Rosa e colegas, 26/11/2025 — Frontiers in Earth Science. Estudo revisado por pares sobre a movimentação de magma no sistema Erta Ale em julho–agosto de 2025.
- GVP, 26/11–02/12/2025 — Relato de satélite mais recente no perfil consultado. Plumas, cinzas e área colapsada em imagens de novembro de 2025, após a erupção do vizinho Hayli Gubbi.
Fontes consultadas em 12 de outubro de 2026.
Créditos das imagens
1. Petr Meissner, Erta Ale, 22/12/2011, CC BY 2.0. 2. Ji-Elle, Erta Ale, 21/01/2014, CC BY-SA 3.0. As cópias das imagens conservam essas licenças.
Fotografias históricas reais, reduzidas proporcionalmente a 1600 pixels. Sem recorte, montagem, mudança de cor ou geração por IA pelo Pisca. Não são fotografias de Erebus, na Antártida, nem das erupções de 2025.



