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Informação num piscar de olhos.

Expedição de novembro de 2013; fotos de 2016/2018; monitoramento 2020–2025 e pesquisa publicada em 12/06/2026

Darvaza: o que os satélites revelaram sobre a “Porta do Inferno”

A cratera de gás arde há décadas no Turcomenistão. Uma pesquisa de 2026 mudou a cronologia do fogo e mostrou por que chamas menores não encerram a questão.

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Leitura de 6 minutos

Fontes no fim

Pequenas chamas amarelas e laranjas saem do chão e das paredes de uma grande cavidade.
Figura 1 · 23 de julho de 2016. Chamas na cratera de gás de Darvaza, no deserto de Karakum. A fotografia registra o estado do local naquele ano; não é uma imagem atual. Benjamin Goetzinger · CC BY-SA 4.0

Em 30 segundos

  1. Darvaza é uma cratera que libera gás no deserto de Karakum, no Turcomenistão. Não é um lago de lava.
  2. Um estudo publicado em 2026 situou o início da combustão entre setembro de 1987 e fevereiro de 1988, questionando a versão de fogo contínuo desde 1971.
  3. As chamas diminuíram, mas isso não demonstra que o metano escapando para a atmosfera caiu na mesma proporção.

Antes de piscar

A foto parece vulcânica, mas o combustível é outro

Na figura 1, o fogo sai de vários pontos do fundo e das paredes. Não há um reservatório luminoso de rocha derretida. O que alimenta as chamas é gás vindo do subsolo. Darvaza fica no deserto de Karakum, no Turcomenistão, e ganhou o apelido de “Porta do Inferno”.

O nome ajuda a imaginar a cena, mas pode esconder a escala. O Guinness registra uma cavidade de 69 metros de largura e 30 de profundidade. A figura 2, feita de dia, mostra como o buraco ocupa uma pequena parte da paisagem ampla do deserto.

Nenhuma das duas imagens foi tirada em 2026. São registros de 2016 e 2018. Essa informação é decisiva em uma história sobre fogo que enfraquece: uma foto antiga pode continuar circulando muito depois de o local mudar.

O instante

Um homem desceu, mas não resolveu a origem da cratera

Em novembro de 2013, George Kourounis desceu até o fundo para recolher amostras. O Guinness o reconhece como a primeira pessoa conhecida a explorar a cratera. Foi uma expedição preparada, com equipe, cordas, roupa refletora de calor, equipamento respiratório e arnês feito para aquelas condições.

Na entrevista publicada pela National Geographic em 2014, ele descreveu numerosos focos de fogo e o ruído do gás queimando. Também contou que as versões sobre o passado não coincidiam. A narrativa popular falava em perfuração soviética, colapso e incêndio em 1971. Geólogos locais lhe apresentaram outra sequência: colapso nos anos 1960 e ignição apenas nos anos 1980.

Kourounis reconheceu que não conseguia comprovar essa cronologia. Sua equipe tentou encontrar relatórios antigos do incidente, sem sucesso. Esse depoimento é valioso como testemunho da busca; não transforma uma das versões em documento de época.

Num piscar de olhos

A cronologia ganhou uma pista que veio do espaço

Uma cavidade oval interrompe o terreno arenoso, com dunas e vegetação baixa ao redor.
Figura 2 · 7 de maio de 2018. Darvaza vista de dia, mostrando a cavidade em relação ao deserto. A aparência discreta de longe não informa quanto gás está saindo. John Pavelka · CC BY 2.0

Em 12 de junho de 2026, Adriana Valverde e colegas publicaram uma pesquisa na Geophysical Research Letters. Ao examinar arquivos Landsat, identificaram a cratera em uma imagem de 25 de outubro de 1972. Isso prova que ela já existia nessa data, mas não fixa quando o terreno desabou.

A equipe então procurou sinais térmicos de combustão em observações posteriores. A transição encontrada situa o início das chamas entre setembro de 1987 e fevereiro de 1988. O intervalo refina a história, sem apontar um dia exato nem revelar quem acendeu o fogo.

A idade do buraco e a idade das chamas são perguntas diferentes. Uma cavidade pode liberar gás antes de esse gás começar a queimar. Por isso, dizer que a cratera se formou em certo ano não basta para contar anos de incêndio.

Depois

Menos fogo não é uma medição de menos metano

A biblioteca de satélites do CIRA reuniu uma sequência de 2022 a maio de 2025 que mostra o enfraquecimento das chamas. Em junho de 2025, a estatal Turkmengas também informou que havia ampliado a extração por poços próximos, com a intenção de reduzir o gás que alimentava a cavidade. A empresa declarou uma redução superior a três vezes na intensidade da combustão.

Há uma diferença entre essa declaração e demonstrar o resultado ambiental inteiro. Em atualização de 2 de junho de 2026, a empresa de monitoramento Capterio confirmou a continuidade da queda na combustão, mas afirmou que as emissões de metano pareciam aproximadamente estáveis. A ligação precisa entre os novos poços e a redução do fogo permanecia incerta.

O estudo de Valverde e colegas detectou 44 plumas de metano com satélites entre 2020 e 2025. Encontrou queda gradual na intensidade da combustão, sem uma correlação clara com a intensidade das emissões de metano. Observar a chama e detectar o gás são trabalhos complementares; um não substitui o outro.

De olhos abertos

O que a história ainda deixa sem resposta

Quem acendeu o fogo, e por quê?

As fontes apresentam versões associadas à exploração de gás e à tentativa de controlar sua liberação. O registro de satélite restringe o intervalo da ignição, mas não identifica o responsável ou a decisão tomada naquele momento.

A cratera vai se apagar em breve?

As fontes consultadas não permitem marcar uma data. A redução observada é um dado importante; a extinção das chamas e a interrupção da saída de gás precisam ser verificadas separadamente.

Mande para quem já viu a “Porta do Inferno” na internet. O que você gostaria de descobrir primeiro: a origem do incêndio ou o caminho do gás sob o deserto?

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Fontes desta história

  1. Valverde e colegas, 12/06/2026 — Geophysical Research Letters. Pesquisa revisada por pares: cronologia Landsat, detecção de metano e distinção entre chamas e emissões. DOI 10.1029/2025GL120321.
  2. National Geographic, 17/07/2014 — Entrevista com George Kourounis. Relato em primeira pessoa da expedição de novembro de 2013, preparação e versões conflitantes sobre a origem.
  3. Guinness World Records — First person to explore the Darvaza Crater. Registro da expedição de novembro de 2013 e dimensões publicadas: 69m de largura, 30m de profundidade.
  4. CIRA Satellite Library — Fires Reduce in the Darvaza Gas Crater. Sequência VIIRS dos satélites NOAA-20/21 e Suomi-NPP entre 16/02/2022 e 11/05/2025. Ficha indexada; abertura direta retornou 403.
  5. Turkmengas, 05/06/2025 — Relato da conferência TESC. Versão do operador estatal sobre poços e redução de combustão. Atribuída como declaração, sem tratá-la como auditoria independente do metano.
  6. Capterio, 02/06/2026 — Atualização sobre Darvaza. Monitoramento da empresa: combustão em queda, metano aproximadamente estável e relação causal com poços ainda incerta.

Fontes consultadas em 12 de outubro de 2026.

Créditos das imagens

1. Benjamin Goetzinger, Darvaza, 23/07/2016, CC BY-SA 4.0. 2. John Pavelka, Darvaza de dia, 07/05/2018, CC BY 2.0. As cópias conservam as licenças individuais.

Fotografias históricas reais, reduzidas proporcionalmente a 1600 pixels. Sem recorte, montagem, mudança de cor ou geração por IA pelo Pisca. Não mostram a expedição de 2013 ou a aparência atual do local.

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