
Em 30 segundos
- Darvaza é uma cratera que libera gás no deserto de Karakum, no Turcomenistão. Não é um lago de lava.
- Um estudo publicado em 2026 situou o início da combustão entre setembro de 1987 e fevereiro de 1988, questionando a versão de fogo contínuo desde 1971.
- As chamas diminuíram, mas isso não demonstra que o metano escapando para a atmosfera caiu na mesma proporção.
Antes de piscar
A foto parece vulcânica, mas o combustível é outro
Na figura 1, o fogo sai de vários pontos do fundo e das paredes. Não há um reservatório luminoso de rocha derretida. O que alimenta as chamas é gás vindo do subsolo. Darvaza fica no deserto de Karakum, no Turcomenistão, e ganhou o apelido de “Porta do Inferno”.
O nome ajuda a imaginar a cena, mas pode esconder a escala. O Guinness registra uma cavidade de 69 metros de largura e 30 de profundidade. A figura 2, feita de dia, mostra como o buraco ocupa uma pequena parte da paisagem ampla do deserto.
Nenhuma das duas imagens foi tirada em 2026. São registros de 2016 e 2018. Essa informação é decisiva em uma história sobre fogo que enfraquece: uma foto antiga pode continuar circulando muito depois de o local mudar.
O instante
Um homem desceu, mas não resolveu a origem da cratera
Em novembro de 2013, George Kourounis desceu até o fundo para recolher amostras. O Guinness o reconhece como a primeira pessoa conhecida a explorar a cratera. Foi uma expedição preparada, com equipe, cordas, roupa refletora de calor, equipamento respiratório e arnês feito para aquelas condições.
Na entrevista publicada pela National Geographic em 2014, ele descreveu numerosos focos de fogo e o ruído do gás queimando. Também contou que as versões sobre o passado não coincidiam. A narrativa popular falava em perfuração soviética, colapso e incêndio em 1971. Geólogos locais lhe apresentaram outra sequência: colapso nos anos 1960 e ignição apenas nos anos 1980.
Kourounis reconheceu que não conseguia comprovar essa cronologia. Sua equipe tentou encontrar relatórios antigos do incidente, sem sucesso. Esse depoimento é valioso como testemunho da busca; não transforma uma das versões em documento de época.
Num piscar de olhos
A cronologia ganhou uma pista que veio do espaço

Em 12 de junho de 2026, Adriana Valverde e colegas publicaram uma pesquisa na Geophysical Research Letters. Ao examinar arquivos Landsat, identificaram a cratera em uma imagem de 25 de outubro de 1972. Isso prova que ela já existia nessa data, mas não fixa quando o terreno desabou.
A equipe então procurou sinais térmicos de combustão em observações posteriores. A transição encontrada situa o início das chamas entre setembro de 1987 e fevereiro de 1988. O intervalo refina a história, sem apontar um dia exato nem revelar quem acendeu o fogo.
A idade do buraco e a idade das chamas são perguntas diferentes. Uma cavidade pode liberar gás antes de esse gás começar a queimar. Por isso, dizer que a cratera se formou em certo ano não basta para contar anos de incêndio.
Depois
Menos fogo não é uma medição de menos metano
A biblioteca de satélites do CIRA reuniu uma sequência de 2022 a maio de 2025 que mostra o enfraquecimento das chamas. Em junho de 2025, a estatal Turkmengas também informou que havia ampliado a extração por poços próximos, com a intenção de reduzir o gás que alimentava a cavidade. A empresa declarou uma redução superior a três vezes na intensidade da combustão.
Há uma diferença entre essa declaração e demonstrar o resultado ambiental inteiro. Em atualização de 2 de junho de 2026, a empresa de monitoramento Capterio confirmou a continuidade da queda na combustão, mas afirmou que as emissões de metano pareciam aproximadamente estáveis. A ligação precisa entre os novos poços e a redução do fogo permanecia incerta.
O estudo de Valverde e colegas detectou 44 plumas de metano com satélites entre 2020 e 2025. Encontrou queda gradual na intensidade da combustão, sem uma correlação clara com a intensidade das emissões de metano. Observar a chama e detectar o gás são trabalhos complementares; um não substitui o outro.
De olhos abertos
O que a história ainda deixa sem resposta
Quem acendeu o fogo, e por quê?
As fontes apresentam versões associadas à exploração de gás e à tentativa de controlar sua liberação. O registro de satélite restringe o intervalo da ignição, mas não identifica o responsável ou a decisão tomada naquele momento.
A cratera vai se apagar em breve?
As fontes consultadas não permitem marcar uma data. A redução observada é um dado importante; a extinção das chamas e a interrupção da saída de gás precisam ser verificadas separadamente.
Mande para quem já viu a “Porta do Inferno” na internet. O que você gostaria de descobrir primeiro: a origem do incêndio ou o caminho do gás sob o deserto?
Receba outras histórias do Pisca, com as fontes para conferir. Quero receber a seleção por e-mail.
Fontes desta história
- Valverde e colegas, 12/06/2026 — Geophysical Research Letters. Pesquisa revisada por pares: cronologia Landsat, detecção de metano e distinção entre chamas e emissões. DOI 10.1029/2025GL120321.
- National Geographic, 17/07/2014 — Entrevista com George Kourounis. Relato em primeira pessoa da expedição de novembro de 2013, preparação e versões conflitantes sobre a origem.
- Guinness World Records — First person to explore the Darvaza Crater. Registro da expedição de novembro de 2013 e dimensões publicadas: 69m de largura, 30m de profundidade.
- CIRA Satellite Library — Fires Reduce in the Darvaza Gas Crater. Sequência VIIRS dos satélites NOAA-20/21 e Suomi-NPP entre 16/02/2022 e 11/05/2025. Ficha indexada; abertura direta retornou 403.
- Turkmengas, 05/06/2025 — Relato da conferência TESC. Versão do operador estatal sobre poços e redução de combustão. Atribuída como declaração, sem tratá-la como auditoria independente do metano.
- Capterio, 02/06/2026 — Atualização sobre Darvaza. Monitoramento da empresa: combustão em queda, metano aproximadamente estável e relação causal com poços ainda incerta.
Fontes consultadas em 12 de outubro de 2026.
Créditos das imagens
1. Benjamin Goetzinger, Darvaza, 23/07/2016, CC BY-SA 4.0. 2. John Pavelka, Darvaza de dia, 07/05/2018, CC BY 2.0. As cópias conservam as licenças individuais.
Fotografias históricas reais, reduzidas proporcionalmente a 1600 pixels. Sem recorte, montagem, mudança de cor ou geração por IA pelo Pisca. Não mostram a expedição de 2013 ou a aparência atual do local.



