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Medição em 01/01/1995; levantamento MaxWave com dados de 2001 divulgado em 21/07/2004; experimento apresentado em 2019

A onda de Draupner: 25,6 metros que ficaram registrados

Em 1995, um laser mediu uma onda extrema no Mar do Norte. O registro, os satélites e um experimento posterior ajudaram a investigar um fenômeno que relatos de marinheiros já descreviam.

Pisca News

Leitura de 6 minutos

Fontes no fim

Onda alta vista pela popa do navio Delaware II, com equipamento de bordo no primeiro plano e espuma na crista.
Atlântico Norte, 2005. Onda fotografada pela tripulação do Delaware II, na região dos montes submarinos da Nova Inglaterra. Exemplo marítimo de arquivo; não é a onda medida em Draupner. Tripulação do NOAA Ship Delaware II / NOAA Photo Library

Em 30 segundos

  1. Em 1º de janeiro de 1995, um laser na plataforma Draupner, no Mar do Norte, registrou uma onda de 25,6 metros entre vale e crista.
  2. A altura significativa do mar era de cerca de 12 metros. Esse número descreve estatisticamente o estado do mar; não significa que cada onda em volta tivesse exatamente essa altura.
  3. Dados de satélites e experiências em tanque ampliaram o estudo. Conhecer mecanismos possíveis ajuda a investigar o risco, mas não equivale a anunciar o instante de cada onda extrema.

Antes de piscar

Os relatos existiam; faltava uma referência que pudesse ser examinada

Marinheiros descrevem ondas inesperadamente grandes há muito tempo. Esses relatos podiam ser difíceis de transformar em números: uma pessoa num navio em movimento não tem a mesma referência de um instrumento fixo registrando a passagem da superfície.

A NOAA explica que ondas extremas podem aparecer como paredes de água, com faces íngremes e vales profundos. O problema não é apenas serem grandes em termos absolutos: elas se destacam do conjunto de ondas no qual aparecem.

Draupner tornou possível comparar uma onda excepcional com o estado do mar naquele trecho. O estudo a descreve como uma das primeiras medições confirmadas de uma onda extrema em campo. É uma afirmação mais precisa que tratar todos os relatos anteriores como mera lenda.

O instante

O laser registrou uma passagem fora do comum

Em 1º de janeiro de 1995, a plataforma Draupner, no Mar do Norte, dispunha de um instrumento laser para medir a elevação da superfície. Na série registrada apareceu uma onda cuja altura total chegou a 25,6 metros.

O estudo de McAllister e colegas distingue essa altura, medida entre vale e crista, da elevação da crista em relação ao nível médio: 18,5 metros. São duas medidas diferentes do mesmo evento. Confundi-las muda o tamanho que se está comunicando.

Naquele estado do mar, a altura significativa era de aproximadamente 12 metros. A onda excepcional tinha, portanto, mais que o dobro desse parâmetro. A comparação usa a série de medições, não a suposição de que todas as ondas vizinhas eram iguais.

A força do registro está na comparação, não apenas no número impressionante. O instrumento ofereceu uma série que outros pesquisadores puderam analisar e usar como referência em modelos e experiências.

Gráfico da elevação da superfície ao longo do tempo no registro de Draupner: um pico perto de 18,5 metros se destaca entre oscilações menores.
Draupner, registro de 1º de janeiro de 1995. Gráfico de Ingvald Straume da elevação da superfície, em metros, ao longo do tempo, em segundos. O pico da crista difere da altura total entre vale e crista; o desenho não é uma fotografia. Ingvald Straume

Num piscar de olhos

Os satélites ampliaram a pergunta para o oceano

O caso de uma plataforma não permite estimar sozinho quantas ondas extremas existem no planeta. O projeto MaxWave passou a buscar evidência numa escala maior, com dados dos satélites ERS da Agência Espacial Europeia.

Em julho de 2004, a ESA relatou que cerca de 30 mil pequenas imagens de radar, cobrindo três semanas de 2001, foram processadas à procura de extremos. A equipe identificou mais de dez ondas individuais acima de 25 metros ao redor do mundo.

Isso era uma amostra de dados e de tempo, não um inventário de todas as ondas do mar. Ainda assim, encontrar esses eventos em um intervalo tão curto reforçou a necessidade de estudar sua ocorrência, suas condições e suas consequências para navios e estruturas.

O mesmo comunicado mencionou mais de 200 navios acima de 200 metros perdidos por mau tempo nas duas décadas anteriores. O número se refere ao período descrito em 2004. Ele não comprova que cada perda tenha sido causada por uma onda extrema nem representa uma contagem atual.

Depois

A onda foi investigada também num tanque

Pesquisadores de Oxford e Edimburgo procuraram reproduzir o perfil de Draupner em condições controladas. O estudo publicado no Journal of Fluid Mechanics, divulgado pela universidade em janeiro de 2019, trabalhou com dois grupos de ondas e variou o ângulo entre eles.

Na experiência descrita, um cruzamento de aproximadamente 120 graus permitiu reproduzir a onda com características compatíveis com o registro. O modo como a crista quebra muda quando os grupos se cruzam em certos ângulos, permitindo formas diferentes daquelas obtidas com ondas numa direção única.

O experimento investiga um mecanismo possível. Não é uma filmagem retrospectiva do Mar do Norte nem prova de que todas as ondas extremas tenham a mesma origem.

A NOAA também descreve a interferência entre ondas e a concentração de energia na interação com correntes como mecanismos relevantes. Sua página, atualizada em setembro de 2026, continua tratando a formação exata de cada evento como uma questão em investigação.

Fotografia em preto e branco de um navio enfrentando uma grande onda, com o convés e a superestrutura à direita.
Baía da Biscaia, cerca de 1940, conforme a ficha de arquivo. Navio em mar agitado. A imagem contextualiza relatos de ondas grandes e não mede Draupner nem demonstra a altura de uma onda por si só. Acervo NOAA Photo Library; fotógrafo individual não informado na ficha

De olhos abertos

O que a medição permite concluir

Uma onda grande em uma foto é necessariamente uma onda extrema?

Não. A classificação exige contexto e medidas do conjunto de ondas. As duas fotos marítimas deste artigo são exemplos de arquivo, com seus locais e datas, e não fotografias da onda de Draupner.

O laser avisou que a onda chegaria?

O registro documentou a passagem da onda naquele ponto. Medir um evento e prever um evento futuro são tarefas diferentes.

É correto dizer que nenhuma previsão é possível?

Essa afirmação é ampla demais. O texto distingue estudo das condições e dos mecanismos da previsão do instante de uma onda individual. Não transforma uma fala de 2004 em diagnóstico absoluto da pesquisa de 2026.

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Fontes desta história

  1. McAllister e colegas — Laboratory recreation of the Draupner wave, Journal of Fluid Mechanics. Artigo original, volume de 2019, disponível no repositório de Edimburgo: 25,6 m, crista de 18,5 m, altura significativa de 12 m, uma das primeiras medições confirmadas e experimento controlado.
  2. ESA — Ship-sinking monster waves revealed by ESA satellites. 21/07/2004. Levantamento MaxWave de três semanas de 2001; número de navios perdidos é histórico e atribuído a mau tempo, não prova causal de todos os acidentes.
  3. Universidade de Oxford — Famous freak wave recreated in laboratory. 23/01/2019. Experimento no FloWave de Edimburgo e cruzamento entre grupos de ondas, com limites da interpretação.
  4. NOAA — What is a rogue wave?. Atualizada em 23/09/2026. Ondas inesperadamente grandes, interferência construtiva e concentração de energia por correntes.

Fontes consultadas em 12 de outubro de 2026.

Créditos das imagens

1 Tripulação do NOAA Ship Delaware II / NOAA Photo Library. Domínio público — declaração individual NOAA/Commons. 2 Acervo NOAA Photo Library; fotógrafo individual não informado na ficha. Domínio público — declaração individual NOAA/Commons. 3 Ingvald Straume. CC BY-SA 3.0.

Duas fotografias reais de arquivo, de locais e datas diferentes de Draupner, e um gráfico de Ingvald Straume sobre o registro de 1995. As legendas identificam cada caso. O gráfico é uma visualização de dados, não uma fotografia da onda. Créditos e licenças individuais preservados, sem recorte ou alteração de pixels pelo Pisca. Nenhum material foi criado por inteligência artificial.

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