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Reentrada Jules Verne em 29/09/2008; expedição em 20/03/2024; plano ISS conferido em documentos de 2026

Ponto Nemo: como o lugar mais distante de terra se liga às naves espaciais

A 2688 quilômetros das ilhas mais próximas, Nemo é uma coordenada no Pacífico. A região remota ajuda a entender o fim do Jules Verne e o plano para a ISS.

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Leitura de 7 minutos

Fontes no fim

Dois homens de roupa de mergulho flutuam no mar, segurando uma sequência de bandeiras marítimas coloridas.
Figura 1 · 20 de março de 2024. Chris Brown e seu filho Mika na expedição ao Ponto Nemo. As bandeiras marítimas formam a palavra NEMO. Crédito e data conforme a ficha individual da fotografia. Chris Brown · CC BY-SA 4.0

Em 30 segundos

  1. Ponto Nemo é a localização no oceano mais distante de terra firme: cerca de 2688 quilômetros das ilhas mais próximas.
  2. Uma vasta região remota do Pacífico Sul é usada para destinar partes de naves após reentradas controladas. Não se trata de empilhar destroços numa coordenada única.
  3. O Jules Verne terminou sua missão ali em 2008. A retirada da ISS está em planejamento, com referência atual ao fim de 2030 ou início de 2031.

Antes de piscar

Um endereço no oceano, sem ilha para marcar a chegada

Na figura 1, dois homens seguram bandeiras no mar. Não existe uma praia logo fora do quadro: a viagem foi até o Ponto Nemo, no Pacífico Sul. O lugar não é uma ilha, uma plataforma ou uma bóia. É uma coordenada definida pela distância até as terras mais próximas.

A NOAA apresenta a posição como 48°52,6′ sul e 123°23,6′ oeste, a cerca de 2688 quilômetros de terra. As referências são a ilha Ducie, ao norte; Motu Nui, perto da Ilha de Páscoa, a nordeste; e Maher, junto à Antártida, ao sul. Mesmo pequenas ilhas contam nessa definição.

O nome remete ao capitão Nemo, de Vinte Mil Léguas Submarinas, de Jules Verne. É uma coincidência literária interessante: décadas depois, um cargueiro batizado em homenagem ao próprio escritor terminaria sua missão na vasta região remota do mesmo oceano.

O instante

Uma viagem real para uma marca invisível

Em março de 2024, Chris Brown e seu filho Mika participaram de uma expedição ao Ponto Nemo. No relato publicado em seu próprio site, Brown conta que a equipe embarcou no Hanse Explorer e saiu do Chile em 12 de março. O trajeto incluiu mar agitado e uma janela de tempo que permitiu a aproximação final.

Perto da posição calculada, usaram botes menores para alcançar as coordenadas e entraram na água com roupas de mergulho. As bandeiras da fotografia foram organizadas com os sinais marítimos que representam as letras N, E, M e O. Elas identificavam o objetivo da expedição; não eram uma bandeira oficial de um território.

Brown descreve o mergulho como pioneiro, mas também admite não poder garantir que nenhuma outra pessoa ou embarcação tenha passado pela coordenada antes. A fotografia e o testemunho documentam aquela viagem. Não demonstram a ausência de toda visita anterior.

Num piscar de olhos

O “cemitério” tem área, trajetória e fragmentos

Um ponto azul muito brilhante deixa vários rastros luminosos paralelos num fundo preto.
Figura 2 · 29 de setembro de 2008. Reentrada do cargueiro Jules Verne sobre o Pacífico Sul, num quadro de vídeo captado pela campanha de observação NASA/ESA. É um acontecimento real, não uma simulação da futura reentrada da ISS. © ESA/NASA · Bill Moede e Jesse Carpenter

Objetos grandes em órbita baixa podem não desaparecer por completo durante a passagem pela atmosfera. Quando há capacidade de controle, os operadores podem planejar a trajetória para que os fragmentos restantes atinjam uma área remota, reduzindo o risco para pessoas. A ESA descreve a área desabitada do Pacífico Sul como um destino usado para esse tipo de operação.

O apelido de cemitério pode dar a impressão de um depósito organizado no fundo do mar. A reentrada, porém, envolve a fragmentação de uma nave em movimento. O alvo operacional é uma área de queda dos destroços, não um único ponto capaz de receber todos eles.

Em 29 de setembro de 2008, o Jules Verne fez uma reentrada destrutiva controlada sobre o Pacífico Sul. O comunicado da ESA informa entrada na atmosfera superior a 120 quilômetros de altitude e fragmentação a 75 quilômetros. A figura 2 foi retirada de um vídeo feito durante a campanha de observação, não de uma animação.

Duas aeronaves equipadas acompanharam o evento. A NASA relata a coleta de dados no visível, infravermelho e ultravioleta, além de informações espectroscópicas. Observar uma reentrada ajuda a comparar o acontecimento real aos modelos usados para prever como uma estrutura se rompe.

Depois

A ISS tem um plano de saída, com decisões pela frente

A Estação Espacial Internacional também precisará de um encerramento planejado. A NASA afirma o compromisso de operar o laboratório até 2030 e prepara uma reentrada controlada. Um relatório do GAO, publicado em 17 de junho de 2026, descreve a queima final prevista para o fim de 2030 ou começo de 2031.

Essas datas pertencem a um cronograma. Não são a confirmação de um impacto já agendado numa coordenada exata do Ponto Nemo. O plano envolve reduzir a altitude, retirar a tripulação e executar manobras para colocar a área de destroços numa região oceânica remota.

O destino final faz parte do projeto de uma missão. Deixar uma grande estrutura voltar sem controle oferece riscos diferentes dos de uma reentrada dirigida. E nem todo satélite é trazido ao oceano: objetos muito altos podem ser enviados para órbitas de descarte.

De olhos abertos

O que a distância não responde

Os astronautas são sempre as pessoas mais próximas?

A ISS orbita a cerca de 415 quilômetros de altura e pode passar relativamente perto da região. Mas ela não fica parada sobre Nemo. A comparação com as ilhas também não prova que não exista uma embarcação nas proximidades.

Todos os destroços caem exatamente no mesmo lugar?

Não. A operação considera uma área de queda e a trajetória dos fragmentos. Os documentos citados não fornecem um inventário atual de peças localizadas no fundo do mar, nem uma coordenada final confirmada para a futura reentrada da ISS.

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Fontes desta história

  1. NOAA Ocean Service — Where is Point Nemo?. Definição geográfica, coordenadas e distância de 2688km às terras mais próximas.
  2. Chris Brown — Relato da expedição de março de 2024. Testemunho direto da viagem, uso do Hanse Explorer e dos botes, mergulho e bandeiras marítimas. HTML público conferido e preservado localmente.
  3. ESA, 29/09/2008 — Successful re-entry marks bright future for ATV. Confirmação da reentrada controlada do Jules Verne, altitudes, horários e observação a partir de aeronaves.
  4. NASA, 06/10/2008 — Re-entry of the Jules Verne. Identificação da foto, data do evento, local no Pacífico e objetivos da campanha de observação.
  5. ESA, 11/05/2020 — Design for demise. Reentrada controlada e área oceânica desabitada do Pacífico Sul, conhecida como cemitério de naves.
  6. NASA Space Place — Where Do Old Satellites Go When They Die?. Distinção entre reentrada de objetos em órbita baixa e órbitas de descarte para satélites altos.
  7. NASA — Perguntas sobre a transição da ISS. Operação até 2030, reentrada controlada e limites das alternativas de preservação em órbita.
  8. GAO, 17/06/2026 — Relatório GAO-26-107805. Documento atual do planejamento NASA: queima final prevista para fim de 2030 ou início de 2031; cronograma e decisões ainda sujeitos à execução.
  9. NASA, junho de 2024 — ISS Deorbit Analysis Summary. Saída da tripulação antes da manobra final, controle da área de destroços e avaliação das opções de encerramento.

Fontes consultadas em 12 de outubro de 2026.

Créditos das imagens

1. Chris Brown, Chris e Mika, 20/03/2024, CC BY-SA 4.0; a cópia conserva a licença. 2. © ESA/NASA, Bill Moede e Jesse Carpenter, Jules Verne, 29/09/2008. Reutilização editorial conforme a política NASA e os termos ESA.

Registros reais, sem geração por IA, montagem, recorte ou alteração de cor pelo Pisca. A foto da expedição foi reduzida proporcionalmente a 1600 pixels. O registro da reentrada foi mantido em 1041 × 672 pixels, sua resolução original na NASA, sem ampliação. A licença da segunda imagem permite este uso editorial; não foi rotulada genericamente como domínio público ou Creative Commons.

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