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3 de julho de 2025; caso de Oklahoma: 14 de maio de 2018

Jato gigante: por que a astronauta fotografou um raio subindo da tempestade?

Em 3 de julho de 2025, Nichole Ayers fotografou um jato gigante sobre o México. Entenda como ele difere de um sprite e o que uma foto ainda não revela.

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Leitura de 6 minutos

Fontes no fim

Um filamento violeta e vermelho liga uma tempestade iluminada à região escura acima das nuvens; o braço robótico da Estação Espacial aparece à esquerda.
Figura 1 · México, 3 de julho de 2025. O jato gigante fotografado por Nichole Ayers da Estação Espacial Internacional. A perspectiva da câmera faz o filamento parecer apontar para baixo na imagem; fisicamente, a descarga saiu da nuvem para a alta atmosfera. NASA/Nichole Ayers · domínio público

Em 30 segundos

  1. A astronauta Nichole Ayers fotografou um jato gigante sobre o México em 3 de julho de 2025.
  2. Esse tipo de descarga sai do topo de uma tempestade e alcança a alta atmosfera. Não é o mesmo fenômeno que um sprite.
  3. Uma foto revela o clarão; medir a carga e explicar sua formação exige cruzar outros instrumentos e observações.

Antes de piscar

A tempestade continua acima das nuvens

Quando pensamos num raio, imaginamos uma linha brilhante entre uma nuvem e o chão. Mas o topo de uma tempestade também pode abrir caminho para descargas elétricas. Algumas aparecem muito acima da parte da nuvem que conseguimos enxergar da rua.

Os cientistas reúnem esses clarões breves numa família chamada eventos luminosos transitórios. O nome é complicado; a ideia é simples: são luzes que aparecem e desaparecem rapidamente na atmosfera, ligadas à atividade elétrica das tempestades. Há vários tipos, com formas e mecanismos diferentes.

Segundo a NASA, os jatos gigantes formam uma ponte elétrica entre o topo das nuvens, por volta de 20 quilômetros de altitude, e a alta atmosfera, em torno de 100 quilômetros. Esses valores descrevem o fenômeno em geral. Não são uma medição da altura exata do filamento fotografado por Ayers.

Para quem está no chão, a própria tempestade pode esconder o que acontece acima dela. Da Estação Espacial, a tripulação vê a paisagem de outro ângulo. Isso ajuda a registrar acontecimentos que seriam difíceis de reconhecer olhando de baixo, mas não transforma qualquer fotografia em uma medição completa.

O instante

O que Nichole Ayers encontrou na foto

Em 3 de julho de 2025, a astronauta da NASA Nichole Ayers registrou uma tempestade ao passar sobre o México. Na fotografia, há um clarão branco-azulado na nuvem e um filamento que se prolonga para a região escura ao lado dela. Uma parte do braço robótico da Estação aparece em primeiro plano.

A primeira identificação foi sprite. Em uma explicação publicada em 12 de agosto de 2025, a NASA corrigiu essa leitura: Ayers havia capturado um jato gigante, uma forma mais rara desses eventos luminosos. A distinção importa porque fenômenos parecidos numa foto podem nascer de processos diferentes.

Olhe de novo a figura 1. A nuvem iluminada é o ponto de partida. A orientação da imagem pode enganar: “subir” aqui significa afastar-se do topo da nuvem em direção à alta atmosfera, e não apontar obrigatoriamente para o alto da tela.

Num piscar de olhos

Sprite, jato azul e jato gigante não são sinônimos

Um sprite costuma ser um clarão avermelhado que aparece bem acima de uma tempestade, depois de um raio forte. Ele pode lembrar colunas ou uma água-viva. O jato gigante, por sua vez, parte diretamente do topo da nuvem. Cor e aparência ajudam; o ponto de origem também conta.

A borda curva da Terra aparece entre estrelas e luzes de cidades; perto da Lua, pequenos filamentos vermelhos surgem acima de uma tempestade azulada.
Figura 2 · Noroeste do México, 10 de agosto de 2015. Um sprite vermelho visto pela tripulação da Expedição 44. É outro registro, dez anos anterior à figura 1, usado aqui para comparar os fenômenos. NASA · domínio público · ISS044-E-45553

Há ainda os jatos azuis. Em setembro de 2015, o astronauta Andreas Mogensen, da Agência Espacial Europeia, filmou uma tempestade sobre a baía de Bengala. A análise divulgada pela ESA em fevereiro de 2017 confirmou um jato azul pulsante que chegou a 40 quilômetros de altitude.

Mogensen não estava apenas colecionando imagens bonitas. Ele recebeu instruções para apontar uma câmera sensível para as torres de nuvem. A experiência registrou também numerosos clarões azuis e ajudou a mostrar o valor da Estação como plataforma de observação desse pedaço pouco estudado da atmosfera.

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Depois

Como se mede uma descarga que vai para cima

Um caso diferente, ocorrido em Oklahoma em 14 de maio de 2018, permitiu ir além da fotografia. Havia dados de uma rede de sensores de rádio, radares meteorológicos e instrumentos de satélites. Pesquisadores reuniram esses registros num estudo publicado na revista Science Advances em 3 de agosto de 2022.

A equipe estimou que aquele jato transferiu cerca de 300 coulombs de carga elétrica entre a tempestade e a ionosfera. Coulomb é uma unidade de carga: esse número descreve a quantidade de eletricidade deslocada. Não é, por si só, uma medida de temperatura, de energia ou de perigo para uma pessoa no chão.

O cruzamento dos instrumentos mostrou outra diferença importante. Os sinais de rádio vieram de partes da descarga em altitudes de 22 a 45 quilômetros, enquanto a luz associada ao canal mais quente permaneceu perto do topo da nuvem, entre 15 e 20 quilômetros. O que brilha numa imagem não conta sozinho toda a história.

Essas medidas pertencem ao caso de Oklahoma. Não devemos emprestá-las à foto de Ayers como se os dois acontecimentos tivessem a mesma carga. A comparação serve para mostrar o que pode ser descoberto quando uma observação visual encontra registros de outros aparelhos.

A NASA também criou o projeto Spritacular, lançado em 2022, para reunir fotografias de eventos luminosos feitas por observadores. Hora, local e identificação da imagem ajudam os pesquisadores a relacionar o clarão com tempestades e dados instrumentais. Os registros passam por revisão científica: uma imagem chamativa é um começo, não a conclusão da investigação.

De olhos abertos

O que ainda não se sabe

Por que algumas tempestades lançam um jato gigante?

Os pesquisadores investigam como as cargas se distribuem e como as condições no topo da nuvem permitem que a descarga escape. Isso não significa que já consigam prever cada jato. O caso de Oklahoma, por exemplo, apareceu numa região de convecção relativamente fraca, uma circunstância que o próprio estudo destacou como incomum.

A foto revela a força do jato de 2025?

Não há uma medida de carga desse evento na explicação da NASA consultada para esta história. Ela identifica o fenômeno. Para calcular sua intensidade elétrica, seriam necessários dados adicionais. O registro de Ayers e os números de Oklahoma devem continuar separados.

Quanto desses clarões ainda passa despercebido?

Faltam observações para responder com precisão a várias perguntas sobre frequência, forma e efeitos na alta atmosfera. É uma das razões para juntar câmeras, sensores e registros de observadores. A descoberta pode começar num instante; a explicação costuma levar muito mais tempo.

Mande esta história para quem tem medo de raio. Qual surpreende mais você: a descarga subir ou ela ainda guardar tantas perguntas?

Fontes desta história

  1. NASA Science, 12/08/2025: fotografia de Ayers, identificação do jato gigante e diferença em relação aos sprites.
  2. Boggs e colegas, Science Advances, 2022 — DOI 10.1126/sciadv.abl8731: estudo com mapeamento óptico e de rádio do jato de Oklahoma. Texto integral no repositório da NOAA.
  3. Georgia Tech Research Institute, 03/08/2022: data do registro em Oklahoma e combinação de instrumentos.
  4. ESA, 08/02/2017: análise das observações de Andreas Mogensen feitas em 2015.
  5. NASA, 26/10/2022 — projeto Spritacular: registros de observadores, revisão das fotos e perguntas científicas em aberto.

Fontes consultadas em 12 de outubro de 2026. A data do fato principal é 3 de julho de 2025; os dados de Oklahoma são de outro evento, ocorrido em 2018.

Créditos das imagens

1. NASA/Nichole Ayers, ISS073-E-281502, 03/07/2025, ficha e arquivo no Commons, domínio público. 2. NASA, ISS044-E-45553, 10/08/2015, ficha e arquivo no Commons, domínio público.

As duas imagens foram apenas reduzidas para a publicação, sem recorte, montagem ou alteração de cor. As fichas identificam obras da NASA em domínio público; veja as orientações de uso de imagens da NASA. Nenhuma imagem foi gerada por inteligência artificial.

 

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