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Informação num piscar de olhos.

11 de agosto de 2026

Como é o amanhecer em Marte?

O robô Curiosity fotografou o amanhecer em Marte. Veja por que lá o céu é laranja e, perto do Sol, fica azulado no começo e no fim do dia.

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Leitura de 9 minutos

Fontes no fim

O instante em que tudo mudou

8h30

11 de agosto de 2026
Monte Sharp, cratera Gale, MarteHora local de Marte, no sol 4.982 da missão. Fontes: NASA/JPL e Reuters.

Cristas de rocha no horizonte de Marte, iluminadas pela luz fraca da manhã, sob um céu alaranjado.
Monte Sharp, Marte, 11 de agosto de 2026. A luz da manhã bate nas cristas esculpidas pelo vento, vistas de longe pelo robô Curiosity. É um recorte da foto que a NASA divulgou em outubro. NASA/JPL-Caltech/MSSS

Em 30 segundos

  1. Em 11 de agosto de 2026, às 8h30 da hora local, o robô Curiosity fotografou o amanhecer em Marte.
  2. A NASA juntou 6 fotos e não corrigiu as cores, para guardar a luz da manhã como ela era.
  3. Em Marte, o céu do dia é alaranjado. Perto do Sol, no começo e no fim do dia, a luz fica azulada.

Antes de piscar

Um robô que sobe uma montanha

O Curiosity é um robô de seis rodas da NASA, do tamanho de um carro. Pousou em Marte em 2012, dentro de uma cratera chamada Gale. Segundo a NASA, o objetivo da missão é descobrir se Marte já teve condições de abrigar vida microscópica.

No meio da cratera há uma montanha, o monte Sharp. Tem cerca de 5 quilômetros de altura. Desde 2014, o Curiosity sobe a encosta devagar, camada por camada.

Cada camada de rocha guarda um pedaço da história do planeta. Segundo a NASA, as camadas do monte Sharp registram lagos e rios antigos. Depois a água secou e deixou minerais salgados.

O robô Curiosity em Marte, com a paisagem da cratera Gale ao fundo.
Monte Sharp, 11 de outubro de 2019. O Curiosity tira uma “selfie”, com a câmera na ponta do braço. Ao fundo, o chão da cratera Gale e a borda da cratera. NASA/JPL-Caltech/MSSS

Procure os furos. Logo à esquerda do robô ficam dois buracos de broca. Foi ali que ele tirou pó de rocha para analisar.

Em Marte, o dia tem nome próprio: sol. Segundo a NASA, dura cerca de 24,6 horas, um pouco mais que o dia na Terra. A NASA conta os dias da missão em sóis, desde o pouso.

O instante

8h30 da manhã em Marte

Era o sol 4.982 da missão, 11 de agosto de 2026. Às 8h30 da hora local de Marte, o Curiosity apontou a câmera principal, a Mastcam, para o horizonte. Segundo a agência Reuters, isso foi cerca de uma hora depois do nascer do sol.

O robô tirou 6 fotos. Elas foram mandadas para a Terra e montadas lado a lado, num panorama.

Panorama largo de Marte ao amanhecer, com cristas claras no horizonte.
Monte Sharp, 11 de agosto de 2026, 8h30 da hora local. O panorama completo, feito com 6 fotos. As cristas claras estão no horizonte, à distância. NASA/JPL-Caltech/MSSS

Quase sempre, a NASA corrige as cores das fotos da Mastcam. Essa correção se chama “balanço de branco”. Desta vez, a equipe deixou a foto sem correção, para guardar o jeito da luz da manhã. A própria NASA chama isso de uma escolha artística.

“O céu é laranja e o nascer do sol tem tons de azul”, disse o cientista Ashwin Vasavada, segundo a Reuters. Ele é do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da NASA, e chefia a parte científica do projeto. E resumiu: “Parece a Terra, mas é com certeza Marte.”

As formas claras no horizonte se chamam yardangs. São cristas de rocha esculpidas pelo vento ao longo de muito tempo. Essa faixa de cristas se estende por cerca de 16 quilômetros no lado noroeste do monte Sharp.

Em números

  • 4.982 sóis de missão no dia da foto
  • 6 fotos no panorama
  • 5 km de altura do monte Sharp
  • 16 km de faixa de cristas

Num piscar de olhos

Por que o céu é laranja e o pôr do sol é azul

Na Terra, o céu do dia é azul e o pôr do sol é avermelhado. Em Marte, é quase o contrário. A culpa é da poeira.

O ar de Marte é cheio de uma poeira muito fina, que fica flutuando. De dia, ela espalha a luz amarela e vermelha pelo céu todo. Por isso o céu fica entre o amarelo e o laranja.

A luz azul faz outro caminho: ao bater na poeira, ela continua quase na mesma direção, perto do Sol. Assim, em volta do Sol se forma um brilho azulado. Quem explicou foi Mark Lemmon, cientista da equipe do Curiosity, num comunicado da NASA de 2015.

O efeito fica mais forte quando o Sol está baixo, no começo e no fim do dia. Nessa hora, a luz atravessa mais ar até chegar ao chão.

Pôr do sol em Marte: o Sol pequeno perto do horizonte, cercado por um brilho azulado.
Cratera Gale, 15 de abril de 2015, sol 956. O primeiro pôr do sol que o Curiosity registrou em cores. Repare no azul em volta do Sol. NASA/JPL-Caltech/MSSS/Texas A&M Univ.

Na mesma tarde, a Mastcam também fez uma sequência de 4 imagens, em 6 minutos e 51 segundos, que a NASA juntou numa animação. Nesta foto, a equipe corrigiu as cores. Segundo a NASA, a Mastcam enxerga cores parecido com o olho humano, só um pouco menos sensível ao azul.

Em 2014, um estudo de três pesquisadores, publicado na revista Applied Optics, testou essa ideia com cálculos. Concluiu que o brilho azul em volta do Sol vem da poeira espalhando o azul “para a frente”. Não vem só de o vermelho ser barrado no caminho.

Horizonte de Marte antes do nascer do sol, visto pelo robô Perseverance.
Cratera Jezero, 18 de março de 2023, sol 738. O céu antes do nascer do sol, visto pelo robô Perseverance, o outro robô da NASA em Marte. A imagem foi processada por Andrea Luck a partir de dados brutos da NASA; as cores dependem desse tratamento. NASA/JPL-Caltech/Andrea Luck (CC BY 2.0)

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O Curiosity não foi o primeiro a ver isso. Em agosto de 1976, a sonda Viking 1, parada em outra região de Marte, fotografou o Sol se pondo. A NASA diz que é uma das primeiras imagens de um pôr do sol tiradas na superfície de Marte.

Foto antiga da paisagem de Marte ao entardecer, com pedras no chão.
Chryse Planitia, Marte, agosto de 1976. A Viking 1 fotografa o fim da tarde, cerca de 15 minutos antes de o Sol se pôr. NASA/JPL

Segundo a NASA, visto de Marte, o Sol parece ter cerca de dois terços do tamanho que tem visto da Terra. Marte fica mais longe dele.

Depois

Um quilômetro acima, e as cristas à frente

Quinze dias depois da foto do amanhecer, em 26 de agosto de 2026 (sol 4.996), o Curiosity bateu uma marca. Já tinha subido 1 quilômetro desde o chão da cratera. É a maior subida já feita em Marte, segundo a NASA.

Panorama de Marte olhando encosta abaixo: uma crista de areia em primeiro plano e a planície da cratera ao longe, até a borda.
Monte Sharp, 5 de setembro de 2026, sol 5.006. O Curiosity olha para trás, para o chão da cratera Gale, depois de subir 1 quilômetro. A borda da cratera aparece ao fundo. NASA/JPL-Caltech/MSSS

A NASA divulgou a foto do amanhecer em 6 de outubro de 2026. O Curiosity está no segundo ano da sua quinta missão estendida. No próximo ano, mais ou menos, vai cruzar camadas ricas em sulfatos e carbonatos, dois tipos de minerais.

Depois disso, vem o destino da foto: as cristas. A NASA espera chegar ao pé delas em 2027 e examinar a rocha com o braço do robô. A Reuters fala em 2027 ou 2028.

  • 2012 O Curiosity pousa na cratera Gale.
  • 2014 Começa a subir o monte Sharp.
  • 15/4/2015 Registra o primeiro pôr do sol em cores.
  • 11/8/2026 Fotografa o amanhecer, às 8h30.
  • 26/8/2026 Chega a 1 km de subida.
  • 6/10/2026 A NASA divulga a foto.
  • 2027 Meta: chegar às cristas.

De olhos abertos

O que ainda não se sabe

O que formou as cristas?

Ninguém sabe ao certo. “Ninguém tem certeza do que criou essa camada”, disse Ashwin Vasavada no comunicado da NASA. Uma ideia é que seja cinza de vulcões antigos. Outra é que seja areia trazida pelo vento, que virou rocha e depois foi esculpida em cristas. Segundo a Reuters, Vasavada disse que a camada deve ter se formado há cerca de 3 bilhões de anos.

As cores da foto são as verdadeiras?

São as cores que a câmera registrou, sem correção. A NASA diz que deixou assim de propósito, por escolha artística. Isso não quer dizer que um astronauta veria exatamente esses tons: o olho humano e a câmera não são iguais.

Uma pessoa em Marte veria o pôr do sol azul?

Segundo a NASA, sim: o pôr do sol pareceria azulado para quem estivesse lá. Mas ninguém pisou em Marte ainda para conferir com os próprios olhos.

Verdade ou lenda?

“O pôr do sol em Marte é azul.”

Verdade Mas só perto do Sol. O resto do céu continua entre o amarelo e o laranja.

“O Curiosity tirou a primeira foto de um pôr do sol em Marte.”

Falso A sonda Viking 1 já tinha fotografado um em 1976, quase 40 anos antes.

“Marte é vermelho porque tem ferrugem.”

Quase O solo tem óxido de ferro, parente da ferrugem. E a poeira desse solo, levantada pelo vento, ajuda a deixar o planeta avermelhado visto de longe.

Fontes desta história

  1. NASA/JPL. “NASA’s Curiosity Rover Catches Stunning Martian Dawn”, comunicado 2026-067, 6 de outubro de 2026.
  2. NASA Photojournal. PIA25629, “NASA’s Curiosity Captures Dawn Breaking on Wind-Carved Cliffs”; PIA26781, “NASA’s Curiosity Looks Back After Reaching Elevation Milestone”, 2026.
  3. Reuters, “NASA rover takes striking image of dawn’s early light on Mars”, 7 de outubro de 2026, publicado por ABC News (Austrália) e Dawn (Paquistão).
  4. Astrobiology.com. “Curiosity Rover Catches A Stunning Martian Dawn”, 6 de outubro de 2026.
  5. NASA Science. “Curiosity Reaches 1-Kilometer Elevation Gain”, 26 de agosto de 2026; página da missão Curiosity; “Mars Facts”.
  6. NASA Science. “What does a sunrise/sunset look like on Mars?”; “Sunset on Mars (Viking 1)”.
  7. NASA/JPL. “NASA’s Curiosity Rover Views Serene Sundown on Mars”, comunicado 2015-161, 8 de maio de 2015; Photojournal PIA19400 e PIA19401.
  8. The Planetary Society. Emily Lakdawalla, “Real-time sunset on Mars”, 24 de maio de 2015; “Viking sunset”.
  9. Ehlers, K.; Chakrabarty, R.; Moosmüller, H. “Blue moons and Martian sunsets”, Applied Optics, v. 53, n. 9, p. 1808–1819, 2014. Truckee Meadows Community College, notícia de agosto de 2020 sobre o estudo.

Fontes consultadas em 10 de outubro de 2026.

Créditos das imagens

1 e 3 NASA/JPL-Caltech/MSSS, 2026; Photojournal PIA25629 (recorte “Figure A”, feito pela NASA, e panorama completo). 2 NASA/JPL-Caltech/MSSS, 2019; Photojournal PIA23378. 4 NASA/JPL-Caltech/MSSS/Texas A&M Univ., 2015; Photojournal PIA19400. 5 NASA/JPL-Caltech/Andrea Luck, processada por Andrea Luck a partir de dados brutos da câmera Navcam do Perseverance, 2023; original no Flickr; licença Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica (CC BY 2.0). 6 NASA/JPL, 1976; Photojournal PIA00567. 7 NASA/JPL-Caltech/MSSS, 2026; Photojournal PIA26781.

As imagens vieram do Wikimedia Commons. As da NASA e do JPL estão em domínio público nos EUA e, pela política do JPL, podem ser usadas para qualquer fim, com crédito. A imagem 5 é de um processador independente e tem licença Creative Commons Atribuição 2.0 (CC BY 2.0). Nenhuma foi feita por inteligência artificial nem recortada por nós; o recorte da imagem 1 é da própria NASA. Só mudaram o tamanho, o contraste e o tom.

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