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Problema do aquecimento coronal; observações conjuntas de 01/06/2022; aproximação recorde da Parker em 24/12/2024

Por que a corona do Sol é mais quente que sua superfície?

A superfície visível do Sol tem cerca de 5.500 °C; sua atmosfera externa alcança milhões. Parker e Solar Orbiter investigam como a energia magnética aquece esse plasma.

Pisca News

Leitura de 5 minutos

Fontes no fim

Um disco negro recobre o Sol, cercado por uma coroa branca de luz; pequenas estruturas avermelhadas aparecem junto à borda.
Figura 1 · Eclipse total de 21 de agosto de 2017. Fotografia feita a bordo do Gulfstream III da NASA Armstrong. A luz branca ao redor do disco lunar revela a corona; não é mapa de temperatura. NASA/Carla Thomas

Em 30 segundos

  1. A corona, atmosfera externa do Sol, pode passar de um milhão de graus Celsius. A superfície visível, chamada fotosfera, tem cerca de 5.500 °C.
  2. A comparação não é com o núcleo: lá a temperatura chega a aproximadamente 15 milhões de graus. “Fora mais quente que dentro” simplifica demais.
  3. Ondas magnéticas, pequenas liberações de energia e turbulência ajudam a explicar o aquecimento. As sondas investigam quanto cada processo contribui em diferentes regiões.

A comparação certa

O núcleo continua mais quente

A surpresa começa acima da camada que enxergamos como o disco solar. Em vez de simplesmente esfriar com a distância, a atmosfera externa apresenta plasma a temperaturas muito maiores que as da fotosfera. O contraste é um fato medido, não um efeito de cor em uma imagem.

Mas o Sol tem várias camadas. A energia da fusão nuclear é produzida no núcleo, que alcança aproximadamente 15 milhões de graus Celsius. A corona não é, de maneira geral, mais quente que esse centro. O enigma está no aumento de temperatura em relação às camadas imediatamente abaixo dela.

Também não existe uma temperatura única para toda a corona. Diferentes estruturas e tipos de partículas podem receber energia de maneiras distintas. O desafio inclui explicar como esse aquecimento começa, como se mantém e por que varia.

Energia invisível

O campo magnético participa da história

O material solar é um plasma: um gás com partículas eletricamente carregadas. Seus movimentos interagem com campos magnéticos que atravessam a atmosfera. Esses campos armazenam energia e podem transportá-la até regiões afastadas da superfície.

Uma das propostas envolve ondas de Alfvén, perturbações que percorrem o plasma magnetizado. A energia transportada pode ser transferida às partículas. Outra proposta envolve pequenas liberações de energia por reconexão magnética, frequentemente descritas como nanoflares: mudanças na configuração do campo que aceleram e aquecem partículas.

Esses mecanismos não precisam competir como respostas mutuamente exclusivas. A reconexão pode gerar ondas, e a turbulência pode levar energia de movimentos maiores para escalas menores. Determinar o peso de cada contribuição exige observações, modelos e comparação com as condições reais do plasma.

Mais perto do problema

A Parker atravessa o ambiente que quer medir

A Parker Solar Probe foi lançada em 2018 para investigar a atmosfera solar de perto. Em 24 de dezembro de 2024, passou a aproximadamente 6,1 milhões de quilômetros da superfície e atingiu cerca de 692 mil quilômetros por hora. A NASA confirmou a sobrevivência ao encontro após receber o sinal da sonda.

A distância continua enorme para padrões terrestres, mas coloca a nave dentro do ambiente solar que interessa à pesquisa. Medir partículas e campos ali evita depender apenas do plasma que já viajou até perto da Terra e se misturou durante o caminho.

A sonda possui instrumentos para acompanhar campos elétricos e magnéticos e para caracterizar partículas, incluindo sua velocidade e temperatura. Um escudo protege o equipamento. A estrutura visível na figura 2 é a nave construída e testada em laboratório; não uma fotografia feita por outra sonda durante a aproximação.

A Parker Solar Probe aparece numa sala limpa, com um escudo escuro na parte superior, estruturas metálicas e painéis ao redor.
Figura 2 · Parker Solar Probe em sala limpa, 25 de setembro de 2017. Registro da nave com seu escudo térmico antes do lançamento, no Johns Hopkins Applied Physics Laboratory. NASA/Goddard Space Flight Center

Duas perspectivas

Uma sonda vê o conjunto; a outra mede o plasma

A Solar Orbiter, missão ESA/NASA, combina observação à distância com medidas locais. Uma câmera pode mostrar uma região ampla da corona; uma sonda dentro dela pode caracterizar partículas e campos. Reunir esses pontos de vista permite testar se uma explicação funciona nas duas escalas.

Em 1º de junho de 2022, as missões realizaram uma observação coordenada. A equipe mudou a orientação da Solar Orbiter para que o coronógrafo Metis incluísse a região por onde a Parker passava. A análise, divulgada em 2023, encontrou evidências de que a turbulência transfere energia para o aquecimento do plasma.

Esse resultado representa avanço, mas não determina sozinho a contribuição de todos os mecanismos em todas as regiões do Sol. A pesquisa sobre o aquecimento coronal continua: o objetivo é explicar medições concretas, e não declarar que qualquer imagem brilhante resolveu o problema.

A história em números

NúmeroO que significa
5.500 °CTemperatura aproximada da superfície visível, a fotosfera
Cerca de 1 milhão de °CTemperatura típica da corona; varia de região para região
15 milhões de °CTemperatura aproximada do núcleo solar
6,1 milhões de kmDistância aproximada da Parker à superfície em 24/12/2024

Antes de piscar

As perguntas que o calor deixa

Como a corona aparece numa fotografia de eclipse?

A Lua cobre a fotosfera muito brilhante e torna visível a luz mais fraca da atmosfera ao redor. A figura 1 registra esse fenômeno em 2017. O eclipse revela a estrutura, mas a fotografia sozinha não funciona como termômetro.

Por que isso importa na Terra?

A atmosfera solar dá origem ao vento solar e participa de eventos que alteram o ambiente espacial. Estudar esses processos ajuda a entender impactos sobre satélites, comunicações, redes elétricas e astronautas. Compreender aquecimento não equivale a prever toda erupção.

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Fontes desta história

  1. ESA — O Sol. Tabela de temperaturas da superfície e do núcleo.
  2. NASA — Fatos sobre o Sol. Camadas solares, corona e persistência do problema de aquecimento.
  3. NASA — A Parker e a corona quente. Explicação dos mecanismos e instrumentos; texto histórico de 2018, não usado como calendário atual da missão.
  4. NASA — Aproximação de 24/12/2024. Distância de 3,8 milhões de milhas e velocidade de 430 mil mph, convertidas e arredondadas.
  5. ESA — Observações conjuntas e turbulência. Observação de 01/06/2022, divulgação de 14/09/2023 e limites do resultado.
  6. ESA — Perguntas da Solar Orbiter. Energia magnética, pequenas liberações e objetivo de comparar mecanismos.

Fontes consultadas em 12 de outubro de 2026.

Créditos das imagens

1 NASA/Carla Thomas. Domínio público. 2 NASA/Goddard Space Flight Center. CC BY 2.0.

Duas fotografias documentais reais: eclipse e sonda em sala limpa. Não foram utilizadas ilustrações de nave junto ao Sol, simulações, IA ou mapas recoloridos pelo Pisca.

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