
Em 30 segundos
- A corona, atmosfera externa do Sol, pode passar de um milhão de graus Celsius. A superfície visível, chamada fotosfera, tem cerca de 5.500 °C.
- A comparação não é com o núcleo: lá a temperatura chega a aproximadamente 15 milhões de graus. “Fora mais quente que dentro” simplifica demais.
- Ondas magnéticas, pequenas liberações de energia e turbulência ajudam a explicar o aquecimento. As sondas investigam quanto cada processo contribui em diferentes regiões.
A comparação certa
O núcleo continua mais quente
A surpresa começa acima da camada que enxergamos como o disco solar. Em vez de simplesmente esfriar com a distância, a atmosfera externa apresenta plasma a temperaturas muito maiores que as da fotosfera. O contraste é um fato medido, não um efeito de cor em uma imagem.
Mas o Sol tem várias camadas. A energia da fusão nuclear é produzida no núcleo, que alcança aproximadamente 15 milhões de graus Celsius. A corona não é, de maneira geral, mais quente que esse centro. O enigma está no aumento de temperatura em relação às camadas imediatamente abaixo dela.
Também não existe uma temperatura única para toda a corona. Diferentes estruturas e tipos de partículas podem receber energia de maneiras distintas. O desafio inclui explicar como esse aquecimento começa, como se mantém e por que varia.
Energia invisível
O campo magnético participa da história
O material solar é um plasma: um gás com partículas eletricamente carregadas. Seus movimentos interagem com campos magnéticos que atravessam a atmosfera. Esses campos armazenam energia e podem transportá-la até regiões afastadas da superfície.
Uma das propostas envolve ondas de Alfvén, perturbações que percorrem o plasma magnetizado. A energia transportada pode ser transferida às partículas. Outra proposta envolve pequenas liberações de energia por reconexão magnética, frequentemente descritas como nanoflares: mudanças na configuração do campo que aceleram e aquecem partículas.
Esses mecanismos não precisam competir como respostas mutuamente exclusivas. A reconexão pode gerar ondas, e a turbulência pode levar energia de movimentos maiores para escalas menores. Determinar o peso de cada contribuição exige observações, modelos e comparação com as condições reais do plasma.
Mais perto do problema
A Parker atravessa o ambiente que quer medir
A Parker Solar Probe foi lançada em 2018 para investigar a atmosfera solar de perto. Em 24 de dezembro de 2024, passou a aproximadamente 6,1 milhões de quilômetros da superfície e atingiu cerca de 692 mil quilômetros por hora. A NASA confirmou a sobrevivência ao encontro após receber o sinal da sonda.
A distância continua enorme para padrões terrestres, mas coloca a nave dentro do ambiente solar que interessa à pesquisa. Medir partículas e campos ali evita depender apenas do plasma que já viajou até perto da Terra e se misturou durante o caminho.
A sonda possui instrumentos para acompanhar campos elétricos e magnéticos e para caracterizar partículas, incluindo sua velocidade e temperatura. Um escudo protege o equipamento. A estrutura visível na figura 2 é a nave construída e testada em laboratório; não uma fotografia feita por outra sonda durante a aproximação.

Duas perspectivas
Uma sonda vê o conjunto; a outra mede o plasma
A Solar Orbiter, missão ESA/NASA, combina observação à distância com medidas locais. Uma câmera pode mostrar uma região ampla da corona; uma sonda dentro dela pode caracterizar partículas e campos. Reunir esses pontos de vista permite testar se uma explicação funciona nas duas escalas.
Em 1º de junho de 2022, as missões realizaram uma observação coordenada. A equipe mudou a orientação da Solar Orbiter para que o coronógrafo Metis incluísse a região por onde a Parker passava. A análise, divulgada em 2023, encontrou evidências de que a turbulência transfere energia para o aquecimento do plasma.
Esse resultado representa avanço, mas não determina sozinho a contribuição de todos os mecanismos em todas as regiões do Sol. A pesquisa sobre o aquecimento coronal continua: o objetivo é explicar medições concretas, e não declarar que qualquer imagem brilhante resolveu o problema.
A história em números
| Número | O que significa |
|---|---|
| 5.500 °C | Temperatura aproximada da superfície visível, a fotosfera |
| Cerca de 1 milhão de °C | Temperatura típica da corona; varia de região para região |
| 15 milhões de °C | Temperatura aproximada do núcleo solar |
| 6,1 milhões de km | Distância aproximada da Parker à superfície em 24/12/2024 |
Antes de piscar
As perguntas que o calor deixa
Como a corona aparece numa fotografia de eclipse?
A Lua cobre a fotosfera muito brilhante e torna visível a luz mais fraca da atmosfera ao redor. A figura 1 registra esse fenômeno em 2017. O eclipse revela a estrutura, mas a fotografia sozinha não funciona como termômetro.
Por que isso importa na Terra?
A atmosfera solar dá origem ao vento solar e participa de eventos que alteram o ambiente espacial. Estudar esses processos ajuda a entender impactos sobre satélites, comunicações, redes elétricas e astronautas. Compreender aquecimento não equivale a prever toda erupção.
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Fontes desta história
- ESA — O Sol. Tabela de temperaturas da superfície e do núcleo.
- NASA — Fatos sobre o Sol. Camadas solares, corona e persistência do problema de aquecimento.
- NASA — A Parker e a corona quente. Explicação dos mecanismos e instrumentos; texto histórico de 2018, não usado como calendário atual da missão.
- NASA — Aproximação de 24/12/2024. Distância de 3,8 milhões de milhas e velocidade de 430 mil mph, convertidas e arredondadas.
- ESA — Observações conjuntas e turbulência. Observação de 01/06/2022, divulgação de 14/09/2023 e limites do resultado.
- ESA — Perguntas da Solar Orbiter. Energia magnética, pequenas liberações e objetivo de comparar mecanismos.
Fontes consultadas em 12 de outubro de 2026.
Créditos das imagens
1 NASA/Carla Thomas. Domínio público. 2 NASA/Goddard Space Flight Center. CC BY 2.0.
Duas fotografias documentais reais: eclipse e sonda em sala limpa. Não foram utilizadas ilustrações de nave junto ao Sol, simulações, IA ou mapas recoloridos pelo Pisca.




