
Em 30 segundos
- Os Pilares da Criação são nuvens de gás e poeira na Nebulosa da Águia, a cerca de 6.500 anos-luz. Há estrelas se formando ali.
- O Reel também passa pelos Precipícios Cósmicos, pela Cabeça de Cavalo e pela galáxia Roda de Carro: objetos diferentes, com escalas diferentes.
- As fotografias usam observações reais e cores atribuídas aos filtros. O voo entre as nuvens é um modelo em 3D, não uma viagem filmada por uma nave.
Uma paisagem que muda
Os pilares são um berçário de estrelas
Parecem torres de pedra, mas são nuvens. Os Pilares da Criação pertencem à Nebulosa da Águia, uma região da nossa Via Láctea. A luz que recebemos saiu dali há milhares de anos. “Ano-luz” mede distância: é o caminho que a luz percorre em um ano.
O apelido reúne duas partes da história. O gás e a poeira se acumulam em estruturas alongadas; dentro delas, concentrações de matéria podem colapsar sob a própria gravidade e dar origem a estrelas. Ao mesmo tempo, a radiação e os ventos de estrelas jovens desgastam e esculpem as nuvens. Formação e erosão acontecem no mesmo cenário.
A imagem do Webb divulgada em outubro de 2022 acrescentou uma perspectiva em infravermelho próximo. Pontos avermelhados destacados na cena incluem estrelas recém-formadas. Traços nas bordas registram material expelido por estrelas ainda em formação. A aparência de lava não significa que existam rios de rocha derretida ali.
Outro endereço
Os precipícios não são montanhas
Nos Precipícios Cósmicos, a impressão de relevo também engana. A imagem divulgada em julho de 2022 mostra a borda de uma cavidade numa região de formação estelar associada a NGC 3324, no complexo de Carina. Os maiores “picos” chegam a aproximadamente sete anos-luz.
Estrelas quentes e massivas, acima da área retratada, lançam luz ultravioleta e ventos que removem material. O que lembra vapor subindo de uma encosta é gás ionizado e poeira aquecida. O infravermelho expõe fontes que ficam escondidas em fotografias de luz visível.
Os precipícios e os pilares compartilham processos, mas não são partes de uma mesma fotografia. Comparar as duas cenas ajuda a perceber como estrelas recém-nascidas transformam a matéria que as cercava.

Uma crina em detalhe
A Cabeça de Cavalo aparece mais de perto
A terceira parada é a Nebulosa Cabeça de Cavalo, em Órion, a cerca de 1.300 anos-luz. A imagem do Webb divulgada em abril de 2024 concentra-se na borda superior da estrutura, a “crina”, numa área de aproximadamente 0,8 ano-luz de largura. Não é um retrato de toda a cabeça no mesmo enquadramento.
Essa borda é útil para estudar a ação da radiação ultravioleta sobre gás e poeira. Há uma transição entre material mais frio e a região irradiada por estrelas próximas. Os instrumentos NIRCam e MIRI permitem investigar detalhes em faixas distintas do infravermelho; suas imagens não são intercambiáveis.

Uma escala muito maior
A Roda de Carro é uma galáxia inteira
A galáxia Roda de Carro, ou Cartwheel, fica a aproximadamente 500 milhões de anos-luz. Aqui o formato circular está ligado a uma colisão entre galáxias, e não à erosão de uma única nuvem. O impacto produziu dois anéis que se expandem a partir do centro, como ondulações.
A imagem divulgada em agosto de 2022 combina NIRCam e MIRI. Ela permite observar estrelas e poeira sob perspectivas complementares. Colocar a Roda de Carro ao lado dos pilares revela a variedade do universo, desde um berçário dentro de uma galáxia até a transformação de uma galáxia inteira.
A história em números
| Número | O que significa |
|---|---|
| 6.500 anos-luz | Distância aproximada dos Pilares da Criação |
| 7 anos-luz | Altura aproximada dos maiores “picos” dos Precipícios Cósmicos |
| 1.300 anos-luz | Distância aproximada da Cabeça de Cavalo |
| 500 milhões de anos-luz | Distância aproximada da galáxia Roda de Carro |
Antes de piscar
O passeio em 3D é real?
Uma nave filmou o voo entre os pilares?
Não. A visualização divulgada pela NASA em junho de 2024 combina dados de telescópios e resultados científicos com um modelo tridimensional. Astrônomos e artistas reconstruíram as estruturas e movimentaram uma câmera virtual. Ela ajuda a compreender profundidade, mas não é uma gravação feita no local.
As cores são o que um astronauta veria?
Não necessariamente. O infravermelho é invisível ao olho humano. Equipes atribuem cores visíveis a diferentes filtros e combinam exposições. A cor comunica informações dos dados; não transforma a imagem em invenção. Fotografias observacionais e visualizações devem ser identificadas de modo diferente.
O Webb substitui o Hubble?
Os observatórios se complementam. Comparar luz visível e infravermelha mostra aspectos diferentes das mesmas nuvens. Um único retrato não contém tudo o que há para descobrir.
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Fontes desta história
- NASA — Pilares da Criação, NIRCam. Imagem observacional, estrelas jovens e interpretação das estruturas.
- NASA — Os Pilares e a relação entre estrelas e poeira. Visualização científica divulgada em 26/06/2024; modelo e câmera virtual.
- NASA — Precipícios Cósmicos. Divulgação de 12/07/2022; picos de aproximadamente sete anos-luz.
- NASA — Cabeça de Cavalo em detalhe. Divulgação de 29/04/2024; distância, crina e região irradiada.
- NASA — Galáxia Roda de Carro. Divulgação de 02/08/2022; colisão, anéis e distância.
- NASA — Como são feitas as imagens do Webb. Tratamento das observações e cores atribuídas às bandas.
Fontes consultadas em 12 de outubro de 2026.
Créditos das imagens
1 NASA, ESA, CSA, STScI; processamento: Joseph DePasquale, Anton M. Koekemoer e Alyssa Pagan (STScI). Domínio público. 2 NASA, ESA, CSA, STScI. Domínio público. 3 ESA/Webb, NASA, CSA, K. Misselt (University of Arizona) e A. Abergel (IAS/Université Paris-Saclay, CNRS). CC BY 4.0.
Imagens de observações reais dos telescópios, compostas e processadas pelas equipes científicas. O infravermelho recebeu cores visíveis. Nenhuma imagem foi gerada por IA ou extraída da visualização tridimensional; o Pisca apenas reduziu proporcionalmente os arquivos.




