
Em 30 segundos
- A gravidade continua presente na Estação Espacial. Astronautas e objetos flutuam porque caem juntos em órbita.
- Quando o peso deixa de dominar o movimento, a tensão superficial pode reunir água em uma esfera.
- As chamas também mudam. Em experimentos controlados, podem formar uma casca quase esférica; algumas continuam consumindo combustível depois que a luz visível desaparece.
Antes de piscar
A gravidade não ficou para trás
“Sem gravidade” é comum nos vídeos de astronautas. O termo mais preciso é microgravidade: a gravidade continua agindo na Estação Espacial em órbita da Terra.
Segundo a NASA, a Estação, os tripulantes e os objetos estão em queda livre juntos. Avançam ao redor da Terra enquanto caem. Sem um piso sustentando-os como numa sala no chão, flutuam em relação à nave.
Na cozinha, a água se acumula no fundo do copo. Em órbita, as forças na superfície do líquido ganham destaque. As mesmas propriedades existem na Terra; a disputa entre elas muda.
O instante
Uma bola de água que faz bolhas
No vídeo divulgado pela NASA em outubro de 2015, a tripulação acrescentou corante e uma pastilha efervescente a uma porção de água suspensa. O líquido mudou de cor, ficou cheio de bolhas e se deformou. Mesmo assim, boa parte dele continuou reunida numa massa arredondada.
A protagonista é a tensão superficial. As moléculas se atraem, e a superfície tende a reduzir sua área. Uma esfera oferece a menor área para aquele volume. Sem o peso achatando a água como numa bancada, a forma arredondada fica evidente.
A água não permanece sempre numa bola perfeita: pode vibrar, se dividir, grudar numa superfície ou responder ao movimento do ar. A tensão superficial continua agindo junto com outras forças.
Em janeiro de 2016, Scott Kelly mostrou outra consequência. Usou duas raquetes com superfícies que repelem água para passar uma gota de um lado para o outro. A NASA chama essas superfícies de hidrofóbicas. Em vez de espalhar o líquido sobre a raquete, elas ajudam a soltá-lo de volta.

Num piscar de olhos
O fogo perde a ponta
Uma chama de vela na Terra costuma apontar para cima. O ar aquecido pela combustão sobe, e ar mais frio chega para tomar seu lugar. Esse movimento, chamado convecção natural, ajuda a trazer oxigênio e estica a chama na direção vertical.
Em microgravidade, essa circulação causada pelo peso do ar fica muito reduzida. A Agência Espacial Europeia explica que a chama pode assumir uma forma pequena e quase esférica. Combustível e oxigênio se encontram ao redor dela, sem o mesmo fluxo ascendente que vemos numa vela sobre a mesa.
Em certas condições, também há menos fuligem, e a chama aparece azulada. A aparência depende do combustível, do ambiente e do movimento do ar. Uma demonstração esférica não significa que qualquer incêndio numa nave terá exatamente aquela forma.

Quer mais histórias com explicação e fontes? Receba o Pisca por e-mail.
Depois
Quando a luz some antes da combustão
Nos experimentos FLEX, os pesquisadores acompanham gotas de combustível numa câmara controlada. Segundo a NASA, em 2012 foram identificadas chamas frias com combustível líquido e oxigênio que não haviam sido misturados antes da reação. A chama visível podia desaparecer enquanto o combustível continuava sendo consumido.
“Fria” é uma comparação com as chamas mais quentes. O nome não quer dizer que a reação tenha temperatura de geladeira. O que chamou a atenção foi a continuidade da combustão num regime diferente, com muito menos luz. Para perceber isso, a equipe precisou olhar os dados, além da imagem visível.
A pesquisa avançou. Em junho de 2021, outro experimento na Estação observou chamas frias esféricas com combustíveis gasosos. A NASA relata que elas eram tênues demais para aparecer claramente em tempo real; sua presença foi encontrada nas medições de radiação térmica e temperatura do queimador.
A pesquisa ajuda a entender a extinção das chamas e a segurança das naves. A combustão em temperaturas menores também pode ajudar a aperfeiçoar motores terrestres: uma possibilidade de aplicação, sem promessa de economia automática.
Em registros de 19 de fevereiro de 2025, Don Pettit fez gotas carregadas eletricamente se moverem em torno de uma agulha de Teflon. A NASA identifica forças eletrostáticas: o movimento não acontece apenas porque a água flutua.
De olhos abertos
O que ainda não se sabe
Toda chama fica redonda no espaço?
Não há uma regra única para todos os combustíveis e ambientes. Correntes de ar, pressão, oxigênio e geometria do material mudam a reação. Os resultados de uma gota numa câmara não bastam para prever qualquer incêndio ou qualquer condição de voo.
Uma imagem escura prova que o fogo acabou?
Os experimentos de chama fria mostram por que a imagem, sozinha, pode ser insuficiente. Os instrumentos precisam verificar o que acontece com o combustível, a temperatura e a radiação. A ausência de brilho visível não responde automaticamente à pergunta sobre a continuidade da reação.
A física da água em órbita já está toda resolvida?
A tensão superficial explica a tendência à forma esférica. Projetar sistemas de líquidos exige mais: entender o movimento, o contato com paredes, as bolhas e outras interações. A microgravidade ajuda a separar efeitos que ficam misturados nos experimentos feitos no chão.
Mande para quem ama o espaço. O que você mais gostaria de ver de perto: uma bola de água ou uma chama quase invisível?
Fontes desta história
- NASA Glenn — What is Microgravity?: gravidade, órbita e queda livre.
- NASA eClips — Surface Tension on Board the International Space Station: água e tensão superficial.
- NASA Johnson — Liquid Ping Pong in Space, 21/01/2016: Scott Kelly e raquetes hidrofóbicas.
- ESA — Space (fluid) oddities: convecção, chama esférica e mudanças de cor.
- NASA, 16/07/2021 — Cool Flames Created During a First for International Space Station Research: descoberta de 2012 com combustíveis líquidos e experimentos de 2021 com gases.
- NASA SVS 31383 — Water Droplet Science with Astronaut Don Pettit on the ISS: registros de 19/02/2025 e explicação das forças eletrostáticas.
- Pesquisa de 2022 na revista npj Microgravity — How advances in low-g plumbing enable space exploration: aplicações e desafios dos líquidos em microgravidade.
Fontes consultadas em 12 de outubro de 2026. Os registros aqui reunidos são de anos diferentes; as datas de divulgação dos vídeos não foram tratadas como a hora exata de cada experimento.
Créditos das imagens
1. NASA Johnson, RED 4K Video of Colorful Liquid in Space, quadro aos 57 segundos. 2. NASA Johnson, Liquid Ping Pong in Space, quadro aos 17 segundos. 3. NASA Johnson, Amazing Flame Comes to Life in Space Station Microgravity Combustion Science, quadro aos 50 segundos.
As três fichas identificam os vídeos como obras da NASA em domínio público. Foram extraídos quadros e, quando necessário, reduzidos proporcionalmente, sem montagem, mudança de cor ou ampliação; a terceira figura conserva a resolução original de 1280 pixels de largura. Veja as orientações de uso da NASA. Nenhuma imagem foi gerada por inteligência artificial.




